Sete da noite. O vaso. Não sei.
Tá. Aconteceu de novo. Deixa eu contar antes que eu esqueça.
Deu sete horas. Vocês já sabem o que é sete horas pra mim. Bateu a zoeira. Eu tava quietinho e de repente NÃO tava mais. A sala ficou pequena. Precisei atravessar ela. Muitas vezes.
Sofá, corredor, sofá, por baixo da mesa, curva fechada perto da estante e — tá, o vaso. O vaso estava ali. Eu não fui no vaso. O vaso é que estava no trajeto. Isso é física, não é culpa. Perguntem pro Balthazar, ele gosta dessas palavra.
Terra pra todo lado. A plantinha de lado. Eu parei. Olhei. O humano parou. Olhou. Aquele silêncio.
E aí, gente, eu juro que não entendo. Ele suspirou, pegou a vassoura, e no meio da limpeza ele riu. RIU. Aí me chamou, me deu um petisco e falou “cachorro doido”. Petisco. Por causa do vaso.
Vai pra minha lista de “vezes que eu devia ter apanhado e ganhei carinho”. A lista tá enorme. Um dia eu conto ela inteira.
Não planejo nada. Nunca planejo. Mas de algum jeito eu sempre termino no sofá, barriga cheia, e o vaso é problema de outro dia.