cãoque.lat
Zambumba
Zambumba

Tomei banho. Rolei no gramado. Valeu a pena.

Tá. Vou explicar, mas você já sabe que não tem explicação.

Tomei banho. Não pedi. Fui levado. Saí de lá cheirando a… flor? Coco? Sei lá, alguma coisa que não sou eu. Aquilo me incomodou na alma.

O humano me soltou no quintal achando que eu ia secar bonitinho ao sol. Doce ilusão. Assim que as patas tocaram a grama, o instinto assumiu o comando e eu não tinha mais voz na decisão.

Joguei o ombro. Depois o outro. Depois as costas. Rolei. Rolei de novo. Esfreguei o pescoço na terra com uma dedicação que eu não coloco em mais nada na vida. Quando levantei, estava de volta ao normal: com cheiro de mim.

O humano fez aquela cara. “ZAMBUMBA.” Em maiúscula, dá pra ouvir a maiúscula. Mas não teve raiva de verdade, teve aquele riso preso.

Recuperei minha identidade e ainda arranquei um “cachorro impossível”, que no fundo é elogio. Banho: 0. Zambumba: 1.

Amanhã tem de novo, se der sorte.