Quem comeu a ração antes da hora?
Um mistério de câmara fechada, dos meus preferidos.
Às seis da manhã, o humano encheu o pote. Testemunhei. Às seis e dez, o pote estava vazio. Dez minutos. Ninguém entrou, ninguém saiu. O culpado, portanto, já estava dentro de casa. Elementar, e também um pouco óbvio, mas sigamos o protocolo.
Analisei a cena. Ao redor do pote, um rastro de grãos — sinal de pressa. Quem come com calma não derruma. Quem derruba, tinha pressa. Quem tinha pressa, sabia que estava fazendo algo errado.
Interroguei os presentes. O Zambumba tinha a barriga suspeitosamente redonda, mas Zambumba sempre tem, e ele mesmo não lembrava de nada — difícil condenar uma testemunha que nem sabe que é ré. O Bidu jurou inocência com a orelha em pé, o que ele faz tanto no verdadeiro quanto no falso.
Notei, ao me examinar, uma leve gordura de ração no meu próprio focinho. Prova plantada, certamente. Alguém quer me incriminar.
Veredito: foi o gato. Cadillac nem come ração — o que só torna mais suspeito que estivesse por perto. Caso encerrado. Segue a rotina.