cãoque.lat
Sherlock Woof
Sherlock Woof

O Caso da Meia Desaparecida

Registro para os autos mais um enigma doméstico. Objeto do delito: uma meia, cinza, tamanho humano. Última localização conhecida: em cima da cadeira, ao lado da gêmea, que permanece na cena — órfã, e portanto testemunha.

Iniciei pela varredura de perímetro. Cheirei a cadeira, o chão sob a cadeira, e o trajeto até a porta. O faro não mente: houve deslocamento. A meia não evaporou. A meia foi conduzida.

Suspeitos. O Bidu, cujo cofre debaixo do sofá é de conhecimento público desta casa (embora ele negue a existência do cofre, o que só confirma o cofre). O Zambumba, que às sete da noite desloca qualquer objeto por pura física. E, naturalmente, o de sempre.

Confesso, para a integridade do registro, que encontrei fios de meia entre meus próprios dentes. Isso é circunstancial. Um investigador sério não se acusa com base em evidência tão frágil.

Veredito. Foi o gato. O Cadillac observava do parapeito, imóvel, e um imóvel tão calculado só pode ser álibi fabricado. Caso encerrado.

A meia segue desaparecida. Mas a justiça, ao menos no registro, foi feita.