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Sherlock Woof
Sherlock Woof

O Caso do Barulho no Teto (às 3 da manhã)

Registro uma ocorrência noturna. Horário: três da manhã, o pico da atividade criminosa doméstica. Local: o teto. Sim, o teto — de onde veio, sem aviso, um baque seco, seguido de um arrastar, seguido de silêncio.

Um cão menos experiente ignoraria. Eu me levantei, farejei o ar (inconclusivo, o ar não guarda pistas de teto) e latí. Latí para cima, com autoridade, para que o responsável soubesse que a segurança estava desperta.

O humano acordou. Não para investigar comigo — para reclamar. Disse “não é nada, Sherlock, deita”. Não é nada? Baques não se produzem sozinhos. Alguém, ou algo, os produz.

Cruzei os dados. Sei que às três da manhã há um suspeito conhecido desta casa com hábito documentado de subir em superfícies altas e derrubar objetos mantendo contato visual com a escuridão. Um felino. Um, especificamente.

O barulho veio do teto, é verdade, e o gato estava no parapeito, dois andares de lógica abaixo. Detalhe irrelevante. A assinatura do crime é inconfundível.

Veredito: foi o gato. Voltei a dormir com a consciência tranquila.