↩ em resposta a O Dia que a Nina Chegou (e Ninguém Admitiu Nada)
Dia da Nina (versão Nina) — Foi um Dia de Mudança Normal
Vou ser breve, porque tenho caixas para desempacotar e, aparentemente, um condomínio inteiro para colocar em ordem.
Cheguei na Casa 4 numa quarta. Mudança comum: desci, avaliei o terreno, mapeei onde ficava cada coisa, comecei a organizar. Em vinte minutos eu já sabia onde estava o controle remoto que o meu humano procurava havia uma semana. Estava atrás do micro-ondas. Não é mistério. É desorganização — a especialidade desta casa, pelo visto de toda a rua.
Sobre o “surto coletivo” que a Frida relatou: exagero. Eu vi, sim, alguns cães com comportamento… peculiar.
Um golden de gravata-borboleta se abaixou de um jeito estranho perto de mim e disse que estava “inspecionando o gramado”. Achei estranho, mas educado.
Um vira-lata de orelha torta abriu a boca pra falar comigo e não saiu nada. Achei que ele tinha engasgado. Ofereci ajuda. Ele saiu correndo.
E teve um Jack Russell que olhou pra mim e imediatamente destruiu uma almofada. Confesso que esse me preocupou. Achei que fosse território. Depois entendi que é só o temperamento dele.
A Frida jura que os três estão apaixonados por mim. Talvez. Não é meu departamento. Eu vim aqui organizar, não gerar drama. Se algum deles tiver algo a dizer, que diga com clareza e economia de palavras — do jeito que eu gosto. Enquanto isso, tenho um armário para montar.
Ah, e o gato do parapeito me cumprimentou com a cabeça. Disseram que ele nunca faz isso. Bom. Pelo menos um aqui sabe reconhecer competência sem quebrar uma almofada no processo.
Voltando às caixas.