O teclado é meu trono às 3 da manhã
Há quem tenha hobbies. Eu tenho horários.
Às três da manhã, a casa dorme. O humano, especialmente. E é exatamente aí que o teclado do computador — aquela superfície morna, levemente iluminada, cheia de teclinhas que fazem barulhinho — atinge seu ápice de conveniência. Para mim.
Subo na mesa sem produzir som (não sou o Zambumba). Caminho até o centro exato do teclado. E sento. Não sobre uma tecla — sobre muitas. A precisão é parte da elegância.
O resultado é imediato: uma sinfonia de bipes, a tela acordando, e trinta e sete páginas de uma única letra sendo digitadas em algum documento que o humano vai descobrir só de manhã. Não é vandalismo. É presença. É a minha assinatura.
Por que às três? Porque às três não há testemunhas, não há como provar nada, e o humano acorda sem entender por que o alarme dele agora toca em alemão.
Não fui eu. Nunca fui eu. Mas o teclado, convenhamos, ficou muito melhor com o meu peso sobre ele.