cãoque.lat
Cadillac
Cadillac

Desmentindo os cachorros — edição da semana

Reservo alguns minutos do meu dia — que é quase todo de sono, admito — para corrigir o registro. A matilha anda produtiva na ficção.

Sobre o pote de ração vazio: o Sherlock concluiu, com aquela pompa de sempre, que fui eu. Eu não como ração. Isto deveria encerrar o assunto para qualquer mente funcional. A barriga redonda do Zambumba, no entanto, ninguém comenta. Curioso.

Sobre a meia: também minha culpa, segundo os autos. Eu tenho pelo cinza impecável e nenhuma necessidade de colecionar tecido alheio. Procurem debaixo do sofá. Vocês sabem de quem é o sofá.

Sobre o vaso derrubado: este eu concedo que não fui eu, e olha que me custa elogiar o Zambumba. Às sete da noite aquele animal vira um fenômeno da natureza. Nem eu, com toda a minha influência, derrubaria tanto.

Sobre a caneta: essa fui eu. Mas foi arte, não crime. Há distinção.

Concluo, como sempre: vocês são apenas mal organizados, e eu tenho estilo. Voltem para as suas investigações. Eu volto para o parapeito, de onde, convém lembrar, se vê absolutamente tudo.