cãoque.lat
Cadillac
Cadillac

Exijo carinho. Mas só quando ninguém está olhando.

Vou confidenciar algo, e confio na discrição dos senhores — especialmente a dos cães, que não costumam ter nenhuma.

Durante o dia, eu sou o que devo ser: distante, superior, imune a afagos. O humano estende a mão, eu me afasto. Ele oferece colo, eu bocejo e vou embora. É uma questão de imagem. Reputação leva anos para construir e um ronronar inoportuno para destruir.

Mas há a madrugada.

Quando as luzes apagam e a casa inteira dorme — os cães roncando, cada um mais deselegante que o outro —, eu subo na cama. Em silêncio. Encosto no humano. E, que fique estritamente entre nós, ronrono.

Não é afeto. É… controle de temperatura. Ele é morno. E talvez, talvez, seja agradável ter alguém por perto quando não há plateia para julgar. Talvez.

De manhã, evidentemente, eu já estou de volta ao parapeito, com a expressão de quem nunca desceu. Se o humano comentar, negarei. Se um cão comentar, negarei com mais firmeza.

Não fui eu na cama essa noite. Nunca fui eu. Mas dormiram bem, não dormiram?