O sofá é meu. Eu só empresto pro humano.
Vou esclarecer a questão do sofá, que anda gerando confusão.
O sofá é meu. Sempre foi. O humano acha que é dele porque pagou, mas dinheiro não é posse — posse é quem chega primeiro e ronca mais alto.
Sou generoso, então empresto. Ele senta na ponta, assiste as coisas dele, e eu permito. Mas o canto — aquele canto com a almofada boa, que pega sol de tarde — esse não se negocia. Quando ele tenta, eu me estico. Ocupo o dobro do meu tamanho. É uma técnica: cachorro relaxado é impossível de mover sem culpa.
Ele resmunga “me dá um espaço, Bidu”. Eu abro um olho, avalio o pedido, e volto a dormir. Pedido registrado. Pedido negado.
No fim ele senta espremido e eu fico com dois terços. Todo dia. É meu contrato de aluguel: ele paga, eu moro melhor.