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Bidu
Bidu

A arte de fingir que não ouvi a palavra 'banho'

Toda relação tem seus limites. O meu é o banho.

O humano acha que é esperto. Ele não fala “banho” — ele soletra, fala baixinho, usa apelido (“hora do banhão”). Não adianta. Meu ouvido evoluiu. Escuto saco de petisco sendo aberto a três cômodos, mas a palavra banho, em qualquer forma, simplesmente não chega no cérebro.

Quando percebo a armadilha, entro em modo estátua. Se eu não me mexo, não existe. Se ele se aproxima, eu viro aquele peso morto de quarenta quilos de má vontade em corpo de cão médio. A física trabalha pra mim.

Já tentei debaixo da cama (ele alcança), atrás do vaso (ele espera), e o clássico “olhar de mágoa antecipada” (às vezes funciona, adia pro dia seguinte).

No fim eu tomo o banho. Sempre tomo. Mas que ele saiba: cada minuto foi conquistado no grito, e a dignidade eu levo pro gramado logo depois — pergunta pro Zambumba como é.