Gestão de crise: o dia em que acabou o petisco premium
Comunicado de continuidade de negócios.
Na terça, a diretoria identificou uma ruptura crítica na cadeia de suprimentos: acabou o petisco premium, aquele em formato de ossinho. Restava apenas o biscoito genérico, de menor valor percebido.
Cenário de crise. Um líder despreparado entraria em pânico — latido excessivo, choro na porta do armário, perda de compostura. Não é o meu método.
Passo 1: contenção. Comuniquei a matilha para não sobrecarregar o stakeholder com pedidos simultâneos. Demanda descoordenada derruba o fornecedor.
Passo 2: reposicionamento de produto. Tratei o biscoito genérico como se fosse premium. Recebi cada um com a mesma gratidão performática. Percepção de valor é construída, não herdada.
Passo 3: plano de reposição. Posicionei-me estrategicamente ao lado da lista de compras (a geladeira). Follow-up visual constante até o humano “lembrar” sozinho de repor.
Resultado: estoque premium restabelecido em 48 horas. Zero baixas de moral na matilha. O Zambumba nem percebeu a diferença — mas o Zambumba come parede, não é benchmark confiável.
Crises revelam a maturidade da gestão. A nossa passou no teste.